quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A última flor

Queria... Queria explicar todo o meu querer, e tantos deles eu tenho.


          Queria lhe dar flores todos os dias, as mais belas; Aquilegias. Fazer com que seu cheiro tivesse um pouco desta essência, tal como sua casa. E que todos os dias seus lençóis ficassem com o mesmo aroma. Seria delicioso achar em qualquer campo algo que me trouxesse você pra bem perto quando eu fechasse os olhos. Queria lhe levar flores para parecer clássico, para me sentir um tolo, um mero rapaz embriagado por amor, por paixão e loucura. Flores, flores para poder fazer versos com essas, e rimar flores com dores, ou amor com dor. Essas coisas de um bobo-clichê propriamente dito.
Eu queria que você gostasse das mesmas músicas que eu, mas também queria que brigasse comigo, tirando meu dedo do botão do rádio pra que então você pudesse escolher a música que deveríamos escutar. Eu teria certa raiva de você naquele momento e pensaria: "Quão egoísta você é." Mas depois eu sei que daria boas risadas com você cantando aquelas suas músicas as quais eu sempre achei que eram maduras e clássicas demais para uma menina da sua idade. A verdade é que você sempre foi muito mais mulher do que seu corpo ou seus olhos escondiam.
          Eu queria acordar antes de você, sair da cama na ponta dos pés e pegar meu violão. Dedilhar alguns poucos acordes, os únicos que eu sei, sentado na beirada da cama e ver você despertando de uma noite mal dormida, mas querida, você quem pediu mais. Devo ressaltar que estou com caminhos largos, desordenados e vermelhos em minhas costas trilhados por suas unhas. Queria ver você levantar da cama com seu corpo nu se movendo com perfeição, ver você se abaixar para pegar minha blusa e a vestir. Você se olharia no espelho e diria que eu não sou tão grande quanto pareço, lançaria seu sorriso diurno e me daria um bom dia, viria até mim, me faria uma massagem e sabe que faz a melhor massagem de todas. Eu queria sair do banho e vê-la bem na porta do banheiro me espionando, a pegaria nos braços e você me diria quase irritada: "Você me molhou." Eu faria graça e a pegaria no colo, levaria para debaixo do chuveiro mais uma vez e sua raiva passaria... Faria de minhas mãos seu sabonete e nós nos amaríamos. 
Nas noites quentes de verão eu não faria cena para tirar sua roupa e despir-te de todos os desejos ocultos dos quais você sempre faz questão de falar que tem, mas nunca de revelá-los. Em noites frias, eu ligaria o aquecedor, só para poder reclamar do calor e repetir o ato. E, assim que terminasse, abriria as janelas deixando que o vento frio tocasse seu corpo para que corresse em direção à nossa cama, me abraçasse e me pedisse para esquentá-la sabendo que eu prontamente atenderia.
          Queria parar de treinar um discurso convicente para caso você desejasse me deixar. Mas eu choraria, choraria até soluçar, pediria para você pensar melhor, prometeria mudar. Imploraria para que não desse o fim. Você ficaria com pena, se ajoelharia para me buscar, no chão, e pegaria meu rosto em suas mãos. Secaria minhas lágrimas e me deixaria ver as suas, nós nos beijaríamos e você diria: "Eu também não quero isso." Nos amaríamos a noite inteira e acordaríamos como se fosse o primeiro dia de todo o amor. 
          Queria poder escolher meu tempo de morrer, e se assim pudesse, escolheria morrer depois de você. Não porque eu gosto de cultivar a dor e a saudade que você faz e provavelmente faria em meu peito. Mas para poder não lhe ver chorar caso a situação fosse contrária. Iria então, antes de partir contigo, levar flores à ti uma última vez. É claro, aquilegias.

2 comentários:

  1. Que lindo, Paula. Que lindo, eu me perdi em meio à tanta doçura. Já favoritei seu blog aqui por que já vi que é bom demais né?!

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  2. Quanto tempo que eu nem olho as coisas por aqui. Obrigada, Neto! De verdade.

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